Logo

A Lógica do Cisne Negro e a Pandemia de 2020

Segundo Nassim Nicholas Taleb, antes da descoberta da Austrália, as pessoas estavam convencidas de que todos os cisnes eram brancos. Esta era uma crença inquestionável por ser absolutamente confirmada por evidências empíricas.

 

Uma única observação pode invalidar a afirmação originada pela existência de milhões de cisnes brancos. Esta história simplesmente ilustra uma limitação severa no aprendizado por meio de observações ou experiências e a fragilidade de nosso conhecimento.

 

O autor chama de Cisne Negro um evento com os atributos descritos a seguir:

 

I) o Cisne Negro é um outlier[1], pois está fora do âmbito das expectativas comuns, já que nada no passado pode apontar convicentemente para a sua possibilidade;

II) exerce um impacto extremo;

III) apesar de ser um outlier, a natureza humana faz com que desenvolvamos explicações para sua ocorrência após o evento, tornando-o explicável e previsível.

 

Um pequeno número de Cisnes Negros explica quase tudo no mundo, do sucesso de ideias e religiões às dinâmicas de eventos históricos e a elementos de nossas vidas pessoais.

 

De modo geral, Cisne Negro positivos levam tempo para apresentar seus efeitos, enquanto os negativos acontecem muito rapidamente[2]; é muito mais fácil e rápido destruir do que construir.

 

Simplesmente imagine quão pouco a compreensão das pessoas na véspera dos eventos de 1914 as teria ajudado a adivinhar o que viria em seguida. Ascensão de Hitler e a guerra subsequente? E o fim repentino do bloco soviético. Crescimento do fundamentalismo islâmico. O crescimento da internet. E a quebra do mercado de ações de 1987? Tudo segue a dinâmica do Cisne Negro.

 

A lógica do Cisne Negro torna o que você não sabe mais relevante do que aquilo que você sabe. Pense no ataque terrorista de 11 de setembro de 2001: se o risco fosse razoavelmente concebível no dia 10 de setembro, o ataque não teria acontecido.

 

Tal combinação de baixa previsibilidade e grande impacto transforma o Cisne Negro em um baita quebra-cabeças. Acrescente a esse fenômeno o fato de que tendemos a agir como se ele não existisse.

 

E, lembre-se, de que a dobra platônica[3] é onde nossa representação da realidade deixa de ser aplicável, mas nós não sabemos disso.

 

Por que continuamos a nos concentrar nas minúcias e não nos eventos significativamente grandes que são possíveis, apesar das provas óbvias de sua influência gigantesca?

 

Nossas mentes são maravilhosas máquinas de explicações, capazes de atribuir sentido a quase tudo e de acumular explicações para todo tipo de fenômenos, e geralmente incapazes de aceitar a ideia da imprevisibilidade.

 

Pense num peru que é alimentado diariamente. Cada refeição servida reforçará a crença do pássaro de que a regra geral da vida é ser alimentado por membros amigáveis da raça humana. Na tarde de quarta-feira que antecede o dia de ação de graças, algo inesperado acontecerá ao peru. A mesma mão que alimenta passa a ser a que torce seu pescoço.

 

Do ponto de vista do peru, não ser alimentado no milésimo primeiro dia é um Cisne Negro. Para o açougueiro, não, já que a ocorrência não é inesperada.

 

Algo funcionou no passado, até que, inesperadamente, não funcione mais, e o que aprendemos revele-se, na melhor das hipóteses, como irrelevante ou falso, e, na pior das hipóteses, perversamente enganador.

 

Assim, pode-se ver que o Cisne Negro é um problema dos incautos. Em outras palavras, Cisne Negro ocorre relativamente às suas expectativas. Percebe-se que se pode eliminá-lo através da ciência ou por manter a cabeça aberta.

 

AUTOR: Nassim Taleb. A lógica do cisne negro. Trad. de Marcelo Schild. 1º ed., RJ, 2015.

 

RESENHADO POR:

DEUSMAR JOSÉ RODRIGUES

Contador e Advogado

 

CONTATO:

www.ottcontabilidade.com.br

 


[1] Dados espúrios de uma amostra estatística.

[2] A pandemia provocada pelo novo Coronavírus em 2020 é, sem sombra de dúvidas, um enorme Cisne Negro mundial. Foi, e ainda é em 28/03/2020, um evento inesperado, mas o Poder Público deveria estar preparado para tais acontecimentos, assim como a iniciativa privada. As companhias listadas em Bolsa de Valores, por exemplo, deveriam possuir caixa para atravessar o período de baixo ou inexistente faturamento. As pessoas físicas também deveriam ter reserva de emergência. A realidade está a indicar que, tanto as pessoas jurídicas quanto as físicas, não se trabalharam com a previsão de Cisne Negro nestes tempos.

[3] É a fronteira explosiva onde a mente platônica entra em contato com a realidade confusa, onde o vão entre o que se sabe e o que acha que se sabe torna-se perigosamente amplo. É aqui que o Cisne Negro se gera.

 


Voltar


Compartilhar

Todos os direitos reservados ao(s) autor(es) do artigo.

Fale Conosco

Fone(s): (62) 3624-4268 / (62) 3624-4139

contato@ottcontabilidade.com.br

Localização

Av. T-7, n.º 371, Edif. Lourenço Office, salas 1102 e 1103, Setor Oeste, CEP 74140-110, Goiânia (GO)

Direitos Reservados à ® | 2020

Content

Informe seus dados

ajuda-chat
ajuda-chat
ajuda-chat_open